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O PODER INTUITIVO

  • Foto do escritor: Elisa Ventura
    Elisa Ventura
  • 10 de abr.
  • 3 min de leitura

Sempre tive uma mente investigativa e muito elétrica. Sinto uma necessidade profunda de compreender a lógica das coisas. É inevitável – incontrolável. Mas tenho também um lado intuitivo bastante expressivo, e sempre dei muita corda para essa capacidade. Sou racional, mas sigo meu coração. Acredito muito que exista um bom diálogo possível entre o pensar e o sentir, e espero, de verdade, que um dia todas as crianças sejam acolhidas neste sentido. 

Uma das experiências sensitivas que tive, eu devia ter uns 10 ou 11 anos, voltando sozinha a pé da escola para casa. Nos anos 80, era comum ouvir que tínhamos que “aprender a nos virar sozinhos”. Eu repetia o mesmo trajeto, fielmente, por recomendação intransigente de minha mãe. E eu entendia sua preocupação. Havia a travessia da clássica Avenida Paulista, que para quem não conhece, tem duas faixas de mão dupla separadas por uma “ilha” de calçada. Pelo trajeto, o farol da primeira faixa era de longa duração, sendo segura a travessia. Mas o farol da segunda faixa fechava rapidamente, e os carros que viravam da rua perpendicular tornavam a travessia perigosa. Então, a ordem de minha mãe era clara: atravessar até a metade, seguir pela ilha até a outra extremidade e, só então, atravessar a segunda metade da avenida no outro farol mais longo. Conto esse detalhe todo porque, curiosamente, sempre no mesmo trecho – caminhando pela ilha – às vezes acontecia algo diferente: uma espécie de previsão. De repente, uma sensação alegre e vibrante tomava conta do meu corpo, preenchia meu coração, e me vinha o pensamento: “hoje tem visita em casa”. Sempre no mesmo trecho. Sempre a mesma sensação. Sempre o mesmo pensamento. E sempre, de fato, havia uma visita em casa – infalível. Nos dias sem visita, nada acontecia. Não sentia nada, nem me dava conta de nada. Era uma volta comum para casa.

Também quando criança tive algumas experiências telepáticas – e confesso que até hoje, vez ou outra, ainda acontecem. É inconsciente e, na época, era bem mais frequente. Simplesmente, em algum momento, eu me adiantava em responder algo que era exatamente o que a pessoa estava prestes a dizer. Lembro-me bem de um dia, já pré-adolescente. Minha mãe perguntou: “adivinha quem eu encontrei hoje na rua?”. Naquele instante, a imagem do fulano sorrindo para ela preencheu meus pensamentos, e respondi sem hesitar: “O Fulano, né mãe?”. Era um amigo muito querido dela, que há tempos não aparecia em casa. Acredito que esse dia tenha ficado marcado não pela adivinhação em si, mas pela reação da minha mãe: “Nossa, filha, credo… às vezes você me assusta…”. Na hora, senti algo estranho – talvez medo, preocupação ou constrangimento por parte dela – uma vibe estranha, que me deixou encucada. São dessas coisas que a gente sente, mas não sabe traduzir em palavras. 

Essas experiências intuitivas são tão vivas dentro de nós que dispensam modelos, hipóteses ou comprovações científicas para serem críveis. A questão nunca foi comprovar algo que não sei se existe, ou provar que há realmente uma consciência divina cuidando de mim, nem convencer alguém de que somos extraordinários quando desenvolvemos nossa potencialidade. O que me move são duas necessidades muito íntimas minhas – como disse, inevitáveis: compreender como essa mágica linda acontece e compartilhar estes entendimentos com o mundo.

Acredito que todos possuam um organismo capacitado para experiências sensitivas. Quando não se manifestam, talvez seja por falta de crença, de acolhimento ou porque acabam, literalmente, sendo podadas pelo estilo de vida, pela alimentação, pela agenda da vida real – e há grandes chances de que isso ocorra já na primeira infância.

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