O VAZIO QUE PARECE CHEIO
- Elisa Ventura

- 10 de abr.
- 5 min de leitura
Sempre gostei de aprender. Por consequência, acabei me dedicando aos estudos. Tenho certa facilidade, mas confesso que muito se deve ao esforço inconsciente (que, agora, nem é mais tão INconsciente) de ser validada, perfeita e amada – reflexo de uma história de vida (já curada, mas que foi complicada) marcada pela presença-ausência de uma mãe rígida, controladora e sempre insatisfeita comigo; uma característica muito notada nas mães de minha árvore genealógica. Felizmente, isso não ocorria entre avós e netos, e minha avó materna, graças a Deus, salvou, no mínimo, minha integridade emocional.
Não é uma queixa. São coisas da vida – constatações – que me fizeram ser quem sou e que me fazem curar através do pensar amoroso. Eu gosto muito de quem me tornei, e devo isso à minha história do jeitinho que ela foi. A vida deu muitas voltas. Muitos ciclos se iniciaram e se encerraram, permeados pelo perdão, pela compaixão e pela abertura para o amor. Hoje, o cenário familiar é outro. Faço o que faço porque amo, do jeito que consigo, com muito carinho pela minha história e pelo meu legado. Sou muito grata.
O ponto aqui é que, durante muito tempo, a história com a minha mãe foi bem difícil. Sem sucesso nos diálogos familiares e sendo continuamente contrariada em minhas escolhas, durante muitos anos os estudos foram sendo conduzidos pelas circunstâncias.
Com 15 anos, apaixonada por matemática desde que a descobri, queria cursar o colegial – atual ensino médio – na área de exatas. Mas me vi obrigada a fazer o magistério, engolindo a seco a justificativa que até hoje deve reverberar em algum lugar do meu campo: “Vai fazer sim! Porque, se você não tiver um marido, pelo menos já tem uma profissão.” – frases comuns da mentalidade dos anos 80. E, com ela, não havia argumentos. Só o chinelo cantando. E cantava mesmo, viu?
Em um misto de amor e rejeição pela profissão de educadora, comecei a trabalhar em uma escola aos 16 anos. Formei-me, mas não teve jeito… na minha rebeldia, segui outros caminhos.
A primeira escolha foi Arquitetura, na Belas Artes. A minha cara! Mas não consegui custear e tranquei depois de um ano e meio. Minha mãe, na insistência de que eu seguisse o caminho dela e de seu pai, meu avô querido – a biblioteconomia, o concurso público, a segurança. O engraçado é que, quanto mais eu ouvia isso, mais rejeitava esse destino. Para aliviar um pouco a tensão, procurei qualquer graduação que eu conseguisse custear – apenas para estar ocupada, na expectativa de que a cobrança parasse. Assim foi minha primeira graduação: Administração com ênfase em Análise de Sistemas – uma das primeiras versões do curso de análise na área de tecnologia, em 1994.
É maravilhoso dedicar minhas habilidades lógicas e analíticas a áreas da ciência que apresentam lacunas ainda discutíveis – não comprovadas – e absolutamente fascinante quando o tema envolve os mistérios da Natureza e da Espiritualidade. Mas, durante muitos anos, na vida real, usei tais habilidades para trabalhar em TI, como programadora e analista de sistemas. Costumo dizer que foi a profissão que “me escolheu”, já que nunca precisei fazer muito esforço para passar em processos seletivos, trabalhar bem, ganhar bem e ter ótimas oportunidades. Uma bênção, se não fosse trágico.
Não demorou para a área de TI tomar conta da minha vida e, claro, que ótimo, me encher de dinheiro. Gosto de me dedicar e fazer bem aquilo a que me proponho. A ascensão foi rápida e, antes mesmo de terminar a faculdade, eu já estava satisfeita com meus ganhos.
Feliz e empolgada com minha vida de “rica”, tracei uma meta distante: “Quero chegar a um salário de X reais!”. Ah, minha gente… rsrs… em dois anos eu já tinha ultrapassado esse valor. O tempo passou e, quando me dei conta, fazia quatro anos que eu estava sem férias (era o auge da terceirização na área de TI), trabalhando 12h por dia, incluindo muitos fins de semana – exausta e sem estímulo.
É uma pena que a mentalidade brasileira ainda esteja presa a uma escala de valores onde o trabalho se sobrepõe à qualidade de vida. O trabalho part-time deveria ser mais comum nas empresas – ou, ao menos, que se dessem por satisfeitos com 8 horas diárias, em vez de exigir 12 ou 14 horas. Apesar de proporcionar bons ganhos financeiros, vivia sempre cansada e sem tempo. Mais adiante, isso também será o motivo de uma transição de carreira nada tranquila.
Resumindo, tinha um ótimo salário, um ótimo emprego, um ótimo plano de carreira… tudo ótimo, mas me sentia, literalmente, apagada.
Por fora, a vida estava CHEIA. Eu tinha tudo aquilo que queria ter. Mas por dentro, estava completamente VAZIA. Nada daquilo realmente me preenchia. Sentia minha alma, o tempo todo, me questionando: “Qual é o meu papel aqui? Qual o sentido deste trabalho, de toda esta dedicação, da falta de tempo para mim mesma?”. Por vezes me senti um tanto prostituída. Muitas vezes, inútil. Definitivamente, fazer algo exclusivamente por dinheiro não era suficiente.
Porém, sendo CNPJ – como se diz, sem carteira assinada – e com as prestações pesadas do carro e do apartamento na Brigadeiro Luiz Antônio, qualquer breve parada significava um enorme rombo, ou até um precipício. Nem doente eu podia me dar ao luxo de ficar. Férias? Sem remuneração e, claro, o projeto não podia parar. Minha sensação era de que não havia como resolver a situação. Não tinha clareza do que realmente acontecia. Não sabia explicar aos outros a falta de sentido na vida. Crise existencial. Eu me sentia completamente encurralada, sem esperança, e cada vez mais angustiada.
Depois de um tempo nesse cabo de guerra – entre um mundo externo CHEIO e um mundo interno VAZIO – adoeci.
Perdi a capacidade de concentração, o raciocínio ficou lento, a perda de foco tornou-se constante e uma tristeza profunda, dolorida, tomou conta de mim.
Tive que lidar com ela: a depressão.
Foi nesse exato momento – no ápice da depressão – que senti o que hoje chamo de síndrome da desconexão.
Experiências sensitivas são tidas como subjetivas, mas dispensam comprovações científicas para serem reais a quem as vivencia. Eu não sabia explicar, mas tinha a sensação nítida de que estava desconectada da VIDA.
Estava sem LUZ. APAGADA. VAZIA.
Ao longo destes anos de pesquisa, venho investigando e desenvolvendo hipóteses e modelos científicos que nos ajudem a compreender, de modo racional, tais dinâmicas sensoriais-conectivas.
“ Se você quer encontrar os segredos do Universo, pense em termos de energia, frequência e vibração.”
– Nikola Tesla
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